magno azevedo

A psicanálise se sustenta, na formação do analista, sobre um tripé fundamental: a análise pessoal, a supervisão dos casos e o trabalho teórico.

Iniciei minha análise aos 17 anos de idade, no mesmo ano em que ingressei na Universidade Federal do Rio de Janeiro, no curso de Ciências Contábeis, e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, no curso de Economia. Desde então, meu percurso foi atravessado, até os 35 anos, de modo contínuo, por essa experiência fundamental: a minha própria análise.

Paralelamente, desenvolvi uma trajetória intensa no campo da produção cultural. Atuei como produtor executivo de cinema, tendo participado da realização do longa-metragem Os Desafinados, dirigido por Walter Lima Júnior. Fui também consultor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento na área de gestão da educação em TV e cinema, e criei a ferramenta educacional “Cinema para Quem Quer Cinema”, que atendeu jovens junto à Secretaria da Educação do Estado de São Paulo.

Ao longo de todo esse período, mantive uma relação constante com a teoria psicanalítica. Posteriormente, ingressei em minha formação no CLIN-a Instituto de Psicanálise, vinculado à Escola Brasileira de Psicanálise e à Associação Mundial de Psicanálise. Esse percurso se estendeu até os 38 anos, momento em que decidi iniciar de forma plena a prática clínica.

Participei do meu primeiro Congresso Mundial em 2012, na Argentina. Desde então, sustento de modo articulado a prática clínica, o estudo teórico e a participação institucional. Ao longo desse percurso, produzi mais de 30 textos, apresentados em congressos, jornadas, revistas especializadas e boletins, além de desenvolver um podcast.

Trabalhos publicados em congressos e jornadas

  • 2025 | XIII Jornadas da EBP-SP

    • Jogos do amor, parcerias contemporâneas

  • 2024 | XXV Encontro Brasileiro do Campo Freudiano

    • Os corpos aprisionados pelo discurso… e seus restos (Uqbar Wapol)

  • 2023 / 2024 | XII Jornadas da EBP-SP

    • R.I.S.o

  • 2022 | XI Jornadas da EBP-SP

    • A verdade e o gozo que não mente

  • 2022 | XXIV Encontro Brasileiro do Campo Freudiano

    • Analista: presente!

  • 2021 | X Jornadas da EBP-SP

    • Psicanálise em ato

Como funciona a psicanálise

A psicanálise de orientação lacaniana parte de uma ideia simples, mas profunda: cada pessoa tem uma história singular com o seu desejo. Não existe um modelo universal de vida, de amor ou de felicidade que funcione para todos. O trabalho da psicanálise é ajudar cada sujeito a encontrar o seu próprio caminho.

Como diz Jacques-Alain Miller, a ética da psicanálise pode ser resumida de forma direta:

encontre o caminho do seu desejo e assuma suas consequências.

Isso implica reconhecer que não há ato sem consequências. Aquilo que dizemos e fazemos produz efeitos — em nós, nos outros e além de nós. Há sempre um preço pelas palavras e pelos atos. A psicanálise não busca eliminar isso, mas permitir que cada um se responsabilize por sua posição.

A vida psíquica não segue um desenvolvimento linear. Ela funciona como uma história que se reorganiza: um acontecimento passado pode ganhar novo sentido quando reinterpretado no presente. Por isso, a análise é também um trabalho de leitura da própria história.

Lacan chamou o ser humano de falasser — um ser marcado pela linguagem. Diferentemente dos animais, não há um destino sexual programado: cada pessoa inventa seu modo de viver o prazer, o amor e o corpo. Essa invenção é o que Lacan chamou de modo de gozo.

Para nomear isso, ele retoma o termo sinthoma. O sinthoma não é apenas um sofrimento, mas uma solução singular: a forma própria de cada sujeito lidar com o desejo, o corpo e os outros.

Cada um tem o seu sinthoma.

Cada um inventa sua solução.

Essa invenção aparece nas relações, no trabalho, na criação e na sexualidade — sempre múltipla e inventiva, como já indicava Freud.

A moral lacaniana é, assim, uma moral da singularidade. A psicanálise não busca adaptar o sujeito a um ideal de normalidade, mas escutar o que há de único em cada um. O sintoma deixa de ser apenas algo a eliminar e passa a ser compreendido como uma invenção — uma maneira de encontrar um lugar na vida.

O trabalho analítico consiste em dar lugar a essa singularidade e a essa invenção, muitas vezes inconsciente.

A psicanálise é, portanto, um espaço de fala e investigação da própria história, onde pode surgir algo essencial:

o modo singular de cada um viver, desejar e existir.